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capa da obra em questão

Palavras-chave

Religiões de matriz africana; Morte; Desfazer; Pessoa.

Imprenta

​

Ano

2014

Descrição física

29p.

Idioma

Português (BR)

Categoria

Artigo

Arquivos disponíveis para Dowload

Sobre a morte e a transformação das relações no batuque de Oyó/RS

Autor(es/as)

Cauê Fraga Machado

Resumo

Esta comunicação consiste fundamentalmente em uma etnografia que descreve analiticamente os acontecimentos, rituais e eventos envolvidos na morte de batuqueiros da Nação Oyó, que parte das religiões de matriz africana no Rio Grande do Sul. Para isso, busca ressaltar a importância da família de santo e das pessoas e orixás mais antigos no contexto dessa religião e em suas relações com a morte. Pois esta é o acontecimento que marca uma ruptura dramática em todos os laços construídos ao longo da vida religiosa. É a partir dela que o grupo de parentes rentes de santo deverá se engajar em um processo curto e violento de destruição de tudo que fora construído, ligado, "aprontado". No ritual chamado eru (desligamento), objetos sagrados, roupas rituais e obrigações serão destruídas desfazendo definitivamente o vínculo do egum (morto) com os vivos. A morte também mudará as relações entre aquele que morreu, os vivos e os orixás: a pessoa se transforma em egum, e, com a ajuda dos que não se foram, torna a viver. Agora, porém, no Orum (a terra dos orixás), onde viverá com seu orixá de cabeça, mantendo uma relação mais estreita com a divindade. A partir disso, a comunicação sugere que o desfazer de laços e obrigações consistem, simultaneamente, em feituras e vínculos que acontecem paralelamente em outro mundo. Morte e vida, fazer e desfazer são, portanto, tratados como constituintes homorgânicos da pessoa batuqueira no Oyó, i.e., elementos que compartilham o mesmo substrato, o que exclui a noção de pares opositivos, mantendo, no entanto, a propriedade diferencial que estabelece a relação entre eles.
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