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capa da obra em questão

Palavras-chave

Resex Tauá-Mirim; Matopiba; Multiespécies; Agronegócio.

Imprenta

São Luís: UFMG

Ano

2025

Descrição física

234p.

Idioma

Português (BR)

Categoria

Tese

Arquivos disponíveis para Dowload

Na frente os cargueiros, no chão a soja, atrás o Matopiba e no subsolo a serpente: uma análise pluriescalar das relações multiespécie a partir da Resex Tauá-Mirim

Autor(es/as)

Amanda Marques Gomes

Resumo

Esta tese analisa os conflitos territoriais e epistemológicos no Maranhão a partir de duas frentes: a luta pela oficialização da Reserva Extrativista (Resex) Tauá-Mirim, em São Luís, e a expansão da fronteira agrícola do Matopiba, no sul do estado. Com base em uma etnografia multiespécie, busca-se compreender como humanos e não humanos (comunidades tradicionais, plantas, rios, animais e organismos invisíveis) participam na produção dos territórios, revelando resistências e reconfigurações diante das forças coloniais e capitalistas. A metodologia combinou pesquisa bibliográfica, documental e trabalho de campo no Taim e em uma fazenda produtora de soja no município de Açailândia, envolvendo entrevistas e observações. O diálogo com autores como Anna Tsing e Antônio Bispo dos Santos ampliou o olhar para perspectivas que reconhecem a vida em sua pluralidade e recusam a centralidade exclusiva do humano. Os resultados apontam que, no Taim, o trabalho é prática coletiva vinculada à dimensão social e multiespécie, enquanto no Matopiba a produção de soja busca a alienação e mostra-se vulnerável a agentes não humanos, como os nematoides que desencadeiam a "soja louca". Esses elementos revelam que a expansão do capital nunca se dá de forma linear, mas em meio a resistências, instabilidades e fricções. Conclui-se que a oficialização da Resex Tauá-Mirim não se restringe a um instrumento jurídico, mas representa ato político de afirmação de modos de vida e cosmovisões não subordinados à lógica mercantil. A partir da tese, entende-se que o Maranhão deve ser pensado e olhado não apenas como espaço de extração, mas como território de invenção de futuros possíveis e ancestrais.
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