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BiblioGedmma

capa da obra em questão

Palavras-chave

Pescadores Artesanais; Conflitos Ambientais; Justiça e Injustiça Ambiental; Racismo Ambiental; Cartografia Decolonial.

Imprenta

Fortaleza: UFC

Ano

2024

Descrição física

172p.

Idioma

Português (BR)

Categoria

Tese

Arquivos disponíveis para Dowload

“A maré não tá pra peixe, nem pra pescador”: cartografia decolonial dos conflitos ambientais na área proposta para criação da reserva extrativista Tauá-Mirim em São Luís - MA

Autor(es/as)

Ana Lourdes da Silva Ribeiro

Resumo

Esta pesquisa de doutorado é uma continuidade de estudos sobre os conflitos ambientais na área proposta da Reserva Extrativista Tauá-Mirim na Grande Ilha do Maranhão, mais conhecida como Ilha de São Luís. É oriunda de projetos de pesquisas e extensão realizadas junto ao Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (Gedmma) - vinculado ao Departamento de Sociologia e Antropologia e ao Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão. Fruto de várias formas de ver e estar no mundo, este projeto se materializa após a intensa vivência e interlocução entre pesquisadoras e pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento no território que constitui um espaço de cultura e um modo de vida através de atividades como a pesca artesanal, a agricultura familiar e a criação de animais de pequeno porte, onde moradores vivem do que produzem e que lutam para manter seu modo de vida, ameaçado por empreendimentos locais, nacionais e internacionais. Nos últimos anos, mais precisamente do ano de 2014 em diante, esses conflitos se intensificaram e as 12 comunidades que compõem o território lutam, desde 2003, para que seja criada a Reserva Extrativista (Resex) Tauá-Mirim, modalidade de unidade de conservação ambiental prevista pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), instituído pela Lei 9.985/2000, que contempla a presença de população humana e atividades econômicas de baixo impacto ambiental e que garante a conservação dos recursos naturais. O território em questão está localizado a sudoeste da Grande Ilha do Maranhão, na capital do Estado do Maranhão e abriga um conjunto de ecossistemas que resulta em uma paisagem singular, incluindo manguezais, dunas, restingas, brejos e babaçuais. Constitui, assim, um espaço relevante para a conservação da vida silvestre. Vale ressaltar, que é nesse cenário que comunidades tradicionais vêm interagindo com seus ecossistemas e neles buscando os recursos necessários para manter sua forma de organização comunitária e reprodução da cultura e do modo de vida baseado na pesca e no agroextrativismo. Nesse cenário de conflitos ambientais, racismo e injustiça ambiental, o presente estudo pretende analisar os conflitos ambientais entre pescadores artesanais e empreendimentos públicos e privados na área proposta para a criação da Reserva Extrativista Tauá-Mirim e seu entorno a partir da cartografia decolonial. A pesquisa foi realizada através de um estudo etnográfico e seguindo as seguintes etapas: i) levantamento bibliográfico e documental; ii) pesquisa de campo in loco; iii) realização de oficinas de cartografia decolonial com os pescadores; iv) produção dos mapas com pescadores artesanais utilizando a cartografia decolonial; v) elaboração coletiva com pescadores artesanais da proposta de gestão integrada dos territórios comunitários e e estratégias para a a melhoria da produtividade dos sistemas ambientais a partir da cartografia decolonial. Convém afirmar que os pescadores artesanais identificam os problemas ambientais como a causa principal da diminuição da produção pesqueira local devido a alterações no ambiente costeiro resultado da dragagem realizada pelas empresas instaladas desde 1970. Identificam, também, que existiam comunidades pesqueiras no território que foram deslocadas compulsoriamente.
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