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Palavras-chave
Desterritorialização; Lugar; Barragem; Comunidade Ribeirinha; Rio.
Imprenta
Araguaína: UFT
Ano
2020
Descrição física
137p.
Idioma
Português (BR)
Categoria
Dissertação
“A beira do rio é o nosso lugar”: os efeitos da Usina Hidrelétrica de Estreito (MA) e a vida ribeirinha no acampamento Coragem em Palmeiras do Tocantins (TO)
Autor(es/as)
Laylson Mota Machado
Resumo
O modelo energético brasileiro constitui-se a partir da produção de energia gerada pelas
usinas hidrelétricas, para promover a economia nacional. A construção desses empreendimentos tem causado efeitos irreversíveis ao meio ambiente social e aos povos e comunidades tradicionais, causando mudanças no meio social, cultural e econômico de inúmeras populações que sofreram com os efeitos da desterritorialização. Tais empreendimentos são os eixos basilares de fomento do Estado e dos empreendedores que propagam o discurso desenvolvimentista e do progresso, destacando que a implantação das barragens surgem para o desenvolvimento da nação. A Usina Hidrelétrica de Estreito (UHEE) é destaque entre estes empreendimentos que surgiram com a proposta impulsionadora da economia nacional. Sua construção teve início em 2007 e, desde essa época, vem causando efeitos irreversíveis às populações atingidas, dentre as quais destaca-se a comunidade ribeirinha do Acampamento Coragem que foi desterritorializada com o advento da usina. Trata-se de um grupo de pescadores/as que atualmente ocupam um território em Palmeiras do Tocantins (TO) como forma de reivindicação dos direitos negados pelo Consórcio Estreito Energia (CESTE). A comunidade é composta por trinta e seis famílias, tendo aproximadamente cem acampados, que atualmente disputam judicialmente a terra que hoje ocupam, lutando contra os empreendedores da usina. Esta pesquisa se desdobrou em investigar quais as percepções dos moradores do Acampamento Coragem em relação aos efeitos do empreendimento da UHE de Estreito sobre a sua comunidade. O objetivo geral deste estudo foi analisar os efeitos e conflitos em torno da UHE de Estreito na comunidade ribeirinha do Acampamento Coragem. Para alcançar tais objetivos, percorreu-se o caminho metodológico da pesquisa qualitativa, com uso da his história oral de vida, permeando a percepção fenomenológica como escopo de discussão desse estudo, assim como aplicação de roteiro de entrevistas a 12 famílias entre julho e setembro de 2019 com 40 questões que questionavam sobre: identificação e história dos moradores; memória do lugar; impactos da UHEE, processo de desapropriação e perspectivas dos atingidos e impactos socioespaciais no Acampamento Coragem. Os instrumentos de coleta de dados utilizados foram a observação participante realizada na comunidade e mapeamento social do território ocupado, o que contribuiu para a elaboração de uma pesquisa interdisciplinar. Diante disso, evidencia-se nas práticas realizadas pelos moradores da comunidade que, desde a instalação da usina, essa população tem se manifestado contra o empreendimento e lutado pelos direitos que foram violados pelos empreendedores. Destacamos a cultura ribeirinha como um modo de resistência, seja pelos direitos, pela ocupação, pelo plantar, produzir, criar e colher que são culturalmente formas de continuar exercendo suas práticas profissionais. Enfatizamos como a comunidade tem sofrido co com os efeitos na produção pesqueira que decaiu drasticamente em razão da construção da usina, evidenciando as formas que a barragem, mesmo após sua construção, ainda gera efeitos às populações atingidas.
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